Vamos subir a montanha?
Ali onde o vento penteia as pedras e os rios conversam com as árvores, o corpo também aprende a escutar. É onde a gente pesquisa o movimento, mas sem régua, sem meta, sem moldura. O corpo como bicho, como planta, como matéria sensível que se move com o mundo e não contra ele. Uma dança que não busca forma. Nada de platéia, nada de pose. Só escuta, tato, relação e um tanto de silêncio bonito.
A 11ª edição do Contact in Natura celebra mais uma vez o estado de presença, o gesto espontâneo e a potência do encontro sensível com a paisagem viva. Ao longo de mais de uma década de existência, o projeto tem se afirmado como um espaço de percepção, criação e pesquisa do corpo na natureza — não como cenário, mas como ambiente que também nos atravessa, nos comove, nos afeta.
Dançamos com a gravidade, com a brisa, com o susto bom de um toque inesperado. Cada dia é um improviso, cada encontro é um desvio, e tudo isso junto vai costurando uma percepção que atravessa pele, osso e memória. Tem momentos em que o que mais se aprende é como parar — de fazer, de querer, de entender — e deixar que a natureza nos guie, que o corpo nos mova e que o encontro nos transforme.
Nos permitimos ser movidos pela paisagem. Porque há um jeito de dançar que nasce do chão.
Vem com a gente! Traz a tua presença que o resto a natureza ensina.
Este é um convite a um mergulho profundo que abre espaço a novas formas de habitar a si e o mundo. De 19 de janeiro a 7 de fevereiro de 2026, na Chapada Diamantina, no coração da Bahia.
O Festival é dividido em três etapas:
Pré-Festival AQUÁTICO, as PRÁTICAS no Capão e a TRAVESSIA do Pati.
Você pode se inscrever para participar de apenas uma, de duas ou das três etapas.
Dançar com as águas
Brincar investigando a inteligência do vínculo
Morrer como indivíduos separados e permanentes
Para renascer como trama relacional, como Cardume
Fluido, dinâmico e ressonante
Para reaprender a estar juntos.
Investigar o processo interno necessário para entrar em estado de dança aquática é uma forma de adentrar as águas e aprender com sua sabedoria relacional. Um espelho belo para revisitar nossas formas de nos relacionar com a vida. Silenciar a pequena mente do ego, soltar a intenção, abrir a receptividade, entregar-se a sentir o que a trama me propõe. Sintonizar-nos com as águas como um peixe, para juntos criarmos um cardume.
Treinar a escuta; a receptividade; a flexibilidade; a plasticidade dinâmica e a cooperação coletiva. O que é um estado de hipervinculação? O que implica, psiquicamente, fisicamente e emocionalmente, abrir-se a um vínculo? É sentir a ressonância? É deixar-se afetar? É praticar o silêncio que amplia a escuta?
O abraço das águas é o abraço da Grande Mãe Cósmica. Entregar-se com devoção a flutuar e a ser embalados e sustentados por ela nos permite recuperar nosso estado embrionário, nossa “dança original” — orgânica, sensível, presente, consciente e verdadeira.
O Pré-Festival AQUÁTICO vai acontecer na Pousada Amanhecer, no Vale do Capão.
É quando nos reunimos para mergulhar no universo do Contato Improvisação com estrutura, presença e profundidade. Durante alguns dias, o Vale do Capão se transforma em um campo de movimento vivo: aulas, intensivos, laboratórios e jam sessions onde o corpo pesquisa, experimenta e se expande em contato com o outro.
É tempo de chão, de quedas e suspensões, de escuta em dupla e em grupo. De afinar a atenção, trabalhar o tônus, explorar o peso e a gravidade — sempre a partir de um lugar sensível e vivo, em conexão com o entorno.
Com foco na prática, essa etapa sustenta o campo coletivo do encontro. É o momento de abrir as portas do corpo, criar conexões, e fortalecer a escuta, que depois ainda segue uma outra viagem.
A etapa PRÁTICAS no Capão acontece na Pousada do Capão, no Vale do Capão.
Mais silencioso, mais profundo. Aqui não há cronograma com horários, nem estrutura fixa. Há experiência, travessia, natureza bruta e tempo dilatado. O corpo é chamado a se integrar ao ambiente — e a pesquisa se faz também nos gestos mais simples: caminhar, respirar, estar.
É abrir espaço para a travessia, o silêncio, a vertigem, o deslumbre. Um tempo em que o corpo se dissolve na paisagem e a dança já não se distingue da caminhada, da queda d’água, do som dos passos na trilha. No Vale do Pati, tudo vira matéria de escuta. A imensidão do lugar afina o gesto, desarma as certezas e convida à presença mais radical.
Aqui não se chega de carro. Não se chega com pressa. O corpo precisa caminhar para acessar esse tempo. E, ao fazer isso, algo já se transforma. A Etapa Pati é o aprofundamento da experiência — um tempo suspenso para dissolver as bordas, escutar os poros, habitar o intervalo entre gesto e respiração em sua forma mais essencial: disponível, permeável, viva, através de um ser que se relaciona com o mundo, desvendando seu verdadeiro movimento autêntico in natura, sem artifícios.
Na TRAVESSIA do Pati, saímos desde o Bomba, no Vale do Capão, passamos uma noite na Igrejinha e seguimos até a Casa do Mirante de João, no Vale do Pati.
Nascida em Buenos Aires, Flor Buzzo começou a estudar Aikido, Acrobacia, Contato Improvisação, Dança Contemporânea e Artes Marciais na adolescência. Formou-se na Universidade de Circo e Artes Cênicas da U.N.S.A.M., na Argentina, e posteriormente concluiu uma segunda formação profissional no Centre des Arts du Cirque Ésacto'Lido, em Toulouse, França. Paralelamente, estudou B.M.C. (Body-Mind Centering), Artes Marciais Internas, Anatomia do Movimento, Sistema Nervoso e Neurociência. Colaborou com diversos diretores e coreógrafos, co-criando inúmeros espetáculos e trabalhando com companhias e festivais na América do Sul e Europa. Em 2017, fundou o “Flow Force”, nome que representa sua pesquisa contínua sobre o movimento, que hoje ensina na França, Espanha, Bélgica, Alemanha, Itália, Suíça, Argentina, Chile, Uruguai e Brasil.
Veja a proposta:
Migue Burkart Noe é terapeuta taoísta integral, homem medicina, pai, servidor da Mensagem da Água. Licenciado em Psicologia pela Universidade de Buenos Aires (UBA). Especializou-se em Subjetividade Contemporânea no Estúdio LWZ. É discípulo do Mestre Liu Ming, com quem se formou em diversas áreas da sabedoria taoísta: Kung Fu Interno, Medicina Chinesa, Bazi (astrologia) e I Ching. É pesquisador da Medicina da Água. Autor do livro "Danza Cardumen. El mensaje del agua" (2019), que investiga a reprogramação relacional, a intersecção entre a cura individual e a transformação coletiva através da intersecção entre arte, magia e política.
Criador e coordenador (com Mariela Alvarez) do projeto "Danza Cardumen, um laboratório de pesquisa em dança aquática". Juntamente com Brian Corin, ele coordena o projeto "Chiagua Unidad Origen", uma investigação coletiva sobre a integração do ser por meio da articulação de práticas taoístas e medicina aquática.
Veja a proposta:
Dançarina, professora de WaterDance® e praticante de Watsu®, com ampla experiência em Healing Dance®, Manuela Blanchard ensina Contato e Improvisação em Dança na natureza, em estúdios e na água há 20 anos. Em 2017, criou o "Aquatic Bodywaves", integrando a improvisação em dança como uma forma mais lúdica e intuitiva de aprender o trabalho corporal aquático do que os treinamentos clássicos na água. Seu trabalho conecta intimamente processos emocionais e ferramentas tântricas à pesquisa aquática. Seu entusiasmo pelas qualidades orgânicas e expressivas do movimento a levou a explorar o Butoh, o Movimento Autêntico, o Body-Mind Centering, a Natação Sincronizada e o Tango, entre outras expressões artísticas. Ela também é professora de Massagem Esalen e Tantra, com experiência em processos de coaching emocional. Além de sua formação em ciências sociais e um treinamento em coaching do método Learning Love, Manuela está atualmente se formando em Neurodança — uma forma de arteterapia que combina processos artísticos de vida com as neurociências.
Veja a proposta:
Pedro Serejo é pesquisador do movimento, brincante, capoeirista e palhaço. Formado em Artes Cênicas pela Faculdade da Cidade, no Rio de Janeiro, também se graduou pelo Profac, com foco em acrobacia de solo, portagem e equilíbrios. Integra a primeira turma da Eslipa – Escola Livre de Palhaços do Grupo Off-Sina. Co-criador do 1o Encontro "Corpo em movimento" CI e Somáticas.
Após uma lesão grave, passou a transformar sua visão sobre o corpo e o movimento, mergulhando em práticas e estudos somáticos como a terapia crânio-sacral, o método GDS e técnicas de massagem. Já com uma base sólida na capoeira encontrou no Contato Improvisação um campo fértil de pesquisa, onde une sua trajetória cênica e corporal ao jogo, escuta e à presença.
Veja a proposta:
Karin Flores é uma mulher afroindígena e pesquisadora do movimento há 17 anos.
Facilita Contato Improvisação desde 2013, em festivais e encontros no Brasil e no exterior.
Desde 2010, dedica-se ao campo da sexualidade consciente e práticas de sensibilização do corpo. É terapeuta somática, em formação pelo método Somatic Experiencing, com experiência na abordagem de traumas e no desenvolvimento pessoal.
Atua como bodyworker, criando vivências que exploram a escuta, o toque, o erotismo e a potência do corpo. Organizadora do Touch & Play Brasil, facilita retiros e festivais internacionais como Eros Supernova e Sexsibility.
Seu trabalho integra CI, somática e sexualidade, tecendo caminhos de transformação através do corpo, da presença e da sensibilidade.
Veja a proposta:
Os pacotes abaixo incluem todas as atividades e uma deliciosa alimentação vegana, durante as etapas Capão e Pati (no Pré-Festival e nos dias de intervalo entre as etapas, a alimentação não está incluída).
Na busca de viabilizar o acesso a todos que realmente ressoam com esta proposta, oferecemos 5 vagas com 15% de desconto para residentes da América Latina, África e Ásia, que estejam em situação de vulnerabilidade econômica.
Também oferecemos 12 vagas de ajudantes de cozinha e limpeza com descontos de até 40% para quem quer fazer parte da nossa equipe!
Caso você esteja buscando estas oportunidades, preencha o campo destinado a isso no formulário de inscrição.
19 a 21 de janeiro 2026
3 aulas x 3 horas
(sem alimentação, sem acomodação)
R$ 600
22 a 29 de janeiro 2026
8 dias, incluindo aulas,
jams e alimentação
(sem acomodação)
R$ 2150
1 a 7 de fevereiro 2026
7 dias, inclui guias,
alimentação e vivências
(com acomodação)
R$ 3100
19 jan a 7 fev 2026
18 dias incluindo todas as atividades,
e alimentação durante as etapas Práticas e Travessia
– com acomodação da Travessia do Pati inclusa –
R$ 5500
Acomodação não incluída, você pode escolher aonde se hospedar.
O Pré-Festival acontecerá na Pousada Amanhecer, e a etapa das Práticas no Capão, será na Pousada do Capão – ambas no Vale do Capão. Para que não seja necessário um deslocamento diário antes e depois das atividades, sugerimos a hospedagem nas próprias Pousadas ou nos arredores (com a possibilidade de compartilhar o quarto com outros participantes do festival).
Na Pousada do Capão disponibilizamos de um lindo camping aberto exclusivamente para o festival – para quem preferir mais simplicidade e economia.
Segue abaixo alguns contatos de hospedagem.
Acomodação incluída. O grupo ficará acomodado em quartos compartilhados.
Para chegar neste lugar tão guardadinho pela natureza, vamos caminhar um tanto até chegar na Igrejinha, primeira Casa de Apoio ao Visitante do nosso caminho, onde ficaremos hospedados por uma noite.
Depois seguiremos para a Casa do Mirante do João, onde ficaremos as demais noites.
Mantidas pelas poucas famílias guardiãs da comunidade local, essas casas refletem o modo de vida tradicional do Pati, com simplicidade e em conexão direta com a natureza.
O Vale do Capão, também conhecido nos mapas como Caeté Açú, é um distrito do município de Palmeiras, na Bahia.
Encontrar locais específicos:
Para chegar neste bendito lugar chamado Bahia, você deve pegar um avião para Salvador da Bahia (SSA).
Se você vem para a etapa Capão e/ou Pati, você deve vir ao Vale do Capão, e para isso existem 2 opções:
– A opção mais econômica é pegar o ônibus desde Salvador para Palmeiras e de lá uma van para o Vale do Capão. Os ônibus de 8h e de 23h chegam em horários que se encontra facilmente transportes coletivos que levam diretamente ao Capão. É só descer do ônibus em Palmeiras e você terá as Van/Camionetes esperando.
– A outra opção é seguir de avião desde Salvador, pegando outro voo até Lençóis (LEC) e do aeroporto pegar um táxi até o Vale do Capão.
Sim, você pode participar só da etapa Capão ou da etapa Pati.
Idealização e Realização: Julia Limaverde
Comunicação e Nutrição: Amatista Sofia
Produção e Logística: Jan Cathalá
Fotografias e vídeos: Marina Wang, Paz da Mata, Karina Fabrício, Jan Cathalá, Amatista Sofia, Geraldin Acevedo, Eli Hill, Maria de Los Angeles, Carlos Gavina, Sasha Bezrodnova, Julia Limaverde, Eugene Dymohod, Joana Shroeder, Ciro Becker, Felipe Godoi, Olya Glotka, Marina Sekacheva.
Flow Force é uma pedagogia com mais de 15 anos de pesquisa sobre a INTEGRIDADE, ADAPTABILIDADE E MOVIMENTO do corpo.
Vamos investigar a inteligência da INTEGRIDADE corporal dançando diante das mudanças — aprendendo a usá-las a nosso favor, ou seja, reciclando-as.
Estudaremos como a gravidade se relaciona com nosso esqueleto e com nossas fáscias em biotensegridade, além da nossa capacidade de responder e nos relacionar com ela a partir da vontade e da entrega — percebendo como, na integração dos opostos, reside a força da dinâmica.
Observamos o movimento como a relação entre corpo, mente e energia. Trabalharemos com ferramentas das práticas somáticas, abordando conceitos de biotensegridade, anatomia do movimento e artes marciais internas, para nos aproximarmos da improvisação e da acrobacia com um corpo forte, suave e disponível.
No Vale do Pati vamos treinar a contemplação e a escuta do espaço externo e interno, e suas inter-relações. Estaremos imersos na natureza, onde aguçar os sentidos se torna um deleite para a exploração do corpo e da vida.
Também trabalharemos com alguns exercícios inspirados nas práticas das artes marciais internas, onde presença, energia, intenção e matéria corporal estão integradas, inter-relacionadas e em dança. Assim como a estrutura, o peso e a colaboração entre as partes do corpo.
Como nutrir a sensibilidade da nossa dança a partir dos conhecimentos corporais do Taoismo? Há milênios, a sabedoria taoista investiga profundamente os ciclos da vida e do universo através do corpo. Essa tradição, originária da antiga China, desenvolveu uma linguagem simbólica que une o ser humano à totalidade cósmica — o yin-yang e os 5 elementos — expressando os ciclos da natureza e os fluxos sutis do corpo.
Neste seminário, propomos um encontro criativo entre o Kung Fu Interno Taoista e o contato improvisação. Exploraremos princípios essenciais das artes marciais internas como ferramentas para o movimento, o refinamento da percepção e a expansão da consciência.
Vamos abordar a relação yin-yang no corpo: o criativo e o receptivo; mente e corpo; matéria e energia; ação e escuta; cheio e vazio. Além de trazer informações sobre as 4 chaves do Kung Fu Interno Taoista, os 5 elementos: circulação, vibração, movimento e textura do toque, e o direcionamento da energia através da intenção.
Este é um convite para uma jornada interior, onde exploraremos a ressonância das paisagens do nosso corpo, em conexão com a natureza ao redor — cada elemento sugerindo diferentes qualidades de movimento, despertando emoções e histórias diversas.
Adotaremos uma abordagem sensual e lúdica em relação ao ambiente, usando nossa pele e nossos sentidos como interfaces e espaços de encontro. A improvisação guiada com elementos de Contato Improvisação, Butoh, Movimento Autêntico e Nova Dança, nos acompanhará em uma jornada de descoberta entre os elementos da natureza e os mundos do corpo.
A terra e as pedras que abraçam nossas formas nos abrem para toques sutis ou, por vezes, ondas corporais selvagens, abrindo espaços para composiçções instantâneas em grupo, confiando na dança que deseja brotar naquele instante através de nós — como plantas humanas.
Nesta oficina, vamos explorar de forma prática os diálogos possíveis entre a capoeira Angola e o Contato Improvisação. Como podemos usar nossa energia tanto para iniciar um movimento quanto para movimentar o outro e como desenvolvemos perguntas e respostas corporais claras.
Afiaremos a escuta, atenção e a qualidade da presença em favor do jogo, transformando o invisível em dança e brincadeira. Investigaremos como o desequilíbrio pode nos levar tanto ao chão quanto ao vôo, e como é possível entrar enquanto se sai — e sair enquanto se entra. Explorando os diálogos entre fundamentos e qualidades de diferentes linguagens e disciplinas atravessaremos desde acrobacias e carregamentos até a sutileza de um toque, um olhar ou uma respiração — sempre buscando a relação como centro do movimento.
Vamos navegar pela linguagem do CI para investigar a fisicalidade, o prazer do movimento e os caminhos que surgem quando dançamos juntes.
O consentimento é a ferramenta que nos permite navegar essa dança em que limites e contornos podem ser sutis, ajudando a perceber: o que quero agora? Onde está meu limite? Como expresso um “sim” ou “não” na dança?
A prática nos convida a sentir o prazer do encontro com outros corpos, trazendo estalos de percepção sobre si mesme e sobre outres.
Brindo uma perspectiva somática, em que a escuta do corpo guia relações mais conscientes, permitindo experimentar tanto a liberdade do movimento quanto a clareza nos acordos.
É um convite para investigar, de forma viva e sensível: É possivel dançar com prazer, presença e clareza? Como expressar meus desejos e limites? O que nasce quando corpo e consentimento se encontram na improvisação?
PARA O PRÉ-FESTIVAL AQUÁTICO:
PARA A ETAPA PRÁTICAS NO CAPÃO: